A Língua Brasileira de Sinais e o paradigma
linguístico educacional
As discussões a
respeito do sucesso ou o fracasso das práticas socioculturais e pedagógicas
específicas para a Pessoa com Surdez (PS) são debatidos há algum tempo,
principalmente entre as vertentes gestualistas e oralistas devido ao entrave na
aceitação de uma língua ou de outra.
Para Syder (1997, p.1)
“O desejo de expressar é vital e origina-se dos esforços em satisfazer tanto as
necessidades de ordem física quanto emocional.”; neste sentido interagir socialmente
beneficia a sobrevivência, proteção e estimulação através da comunicação.
A Educação Inclusiva no
Brasil tem desencadeado movimentos em defesa dos direitos para todos, neste
percurso observa-se a ampliação nas concepções pedagógicas, sociais e culturais.
Assim, a PS passou e passa por confrontos epistemológicos de “deficiente”,
principalmente nos embates políticos para concretização da inclusão, pois ainda
há profissionais que acreditam que a perda sensorial reduz o potencial humano
de ser em sociedade deste sujeito (ALVEZ; FERREIRA; DAMÁZIO, 2010).
Hoje, essa realidade do
ponto de vista político tem na Política Nacional de Educação Especial na
perspectiva Inclusiva (2008) diretrizes fundamentadas no direito humano,
equidade e diferença como valores indissociáveis, e traz a abordagem bilíngue para
a pessoa com surdez no sentido de oportunizar “[...] características e status
próprios, no qual cognitivamente se organiza e estrutura o pensamento e a
linguagem nos processos de mediação simbólica...” (DAMÁZIO; FERREIRA, 2010).
Neste aspecto, a
comunicação e interação encontram-se abertas, permitindo que cada língua tenha
seu espaço; portanto, as segregações entre surdos e ouvintes são abatidas,
instituindo qualquer ambiente estimulador e favorável para explorar as
capacidades e garantir uma comunicação pragmática e significativa.
De fato a Língua
Brasileira de Sinais (Libras), como acessibilidade comunicacional, por si só
não garante diálogos significativos, pois a sociedade não está preparada a
compartilhar esta língua por não conhece-la e muito menos desejar aprender.
Segundo Damázio e
Ferreira (2010) é preciso romper as ideias focadas na língua ora como
gestualismo, ora como oralismo; certo de que a língua natural da PS é a Libras e
o acesso a Língua Portuguesa escrita constitui língua de instrução, por isso as
escolas não podem gerir suas práticas somente nesta questão promovendo o
fracasso escolar, porque é preciso conceber o bilinguismo como identidade à
cultura surda, com todo seu potencial e não somente na constituição de sua
subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção de conhecimento.
Alvez, Ferreira e Damázio (2010) relatam que constituir o bilinguismo nos remete aos anseios do cotidiano da sociedade e
essencialmente da PS, no entanto, não somete a escola, como já foi mencionado, como
também todos os ambientes devem romper com a confusão nas práticas pedagógicas
e não cair no bimodalismo.
É necessário então, que
seja propiciado a estas pessoas um ambiente educacional estimulador, onde a
criação de situações desafiadoras possa desenvolver suas capacidades cognitiva,
perceptiva e linguística, mediadas por experiências significativas que
desenvolvam as suas potencialidades das mais variadas formas. Neste sentido a
escola precisa rever suas concepções, seu papel na educação dos alunos surdos,
modificar sua prática pedagógica na direção de um paradigma inclusivo onde o
respeito pelas diferenças é primordial (ALVEZ; FERREIRA; DAMÁZIO, 2010).
Dessa forma, ao adotar ações
que contribuam para comunicação que envolva a LIBRAS e que vise o
acompanhamento do conteúdo oficial da escola, das atividades socioculturais e o
cotidiano desenvolvem a competência linguística e textual para que todos tenham
acesso, respeitando a sua aquisição com naturalidade.
Referência
Bibliográfica
ALVEZ, C. B.; FERREIRA, J. de P.;
DAMÁZIO, M. M. A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas
com surdez. Brasília: Ministério da Educação, 2010.
DAMÁZIO, M. M.; FERREIRA, J. de P. Educação de Pessoas com Surdez –
Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista da
Educação Especial / Secretaria de Educação Especial. v.5, n.1 (jan/jul) –
Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010.
SYDER, Diana. Introdução aos Distúrbios de Comunicação. Rio de Janeiro: Revinter,
1997.