quinta-feira, 20 de março de 2014

Texto sobre Pessoas com Surdez

A Língua Brasileira de Sinais e o paradigma linguístico educacional
                                                                             

As discussões a respeito do sucesso ou o fracasso das práticas socioculturais e pedagógicas específicas para a Pessoa com Surdez (PS) são debatidos há algum tempo, principalmente entre as vertentes gestualistas e oralistas devido ao entrave na aceitação de uma língua ou de outra.
Para Syder (1997, p.1) “O desejo de expressar é vital e origina-se dos esforços em satisfazer tanto as necessidades de ordem física quanto emocional.”; neste sentido interagir socialmente beneficia a sobrevivência, proteção e estimulação através da comunicação.
A Educação Inclusiva no Brasil tem desencadeado movimentos em defesa dos direitos para todos, neste percurso observa-se a ampliação nas concepções pedagógicas, sociais e culturais. Assim, a PS passou e passa por confrontos epistemológicos de “deficiente”, principalmente nos embates políticos para concretização da inclusão, pois ainda há profissionais que acreditam que a perda sensorial reduz o potencial humano de ser em sociedade deste sujeito (ALVEZ; FERREIRA; DAMÁZIO, 2010).
Hoje, essa realidade do ponto de vista político tem na Política Nacional de Educação Especial na perspectiva Inclusiva (2008) diretrizes fundamentadas no direito humano, equidade e diferença como valores indissociáveis, e traz a abordagem bilíngue para a pessoa com surdez no sentido de oportunizar “[...] características e status próprios, no qual cognitivamente se organiza e estrutura o pensamento e a linguagem nos processos de mediação simbólica...” (DAMÁZIO; FERREIRA, 2010).
Neste aspecto, a comunicação e interação encontram-se abertas, permitindo que cada língua tenha seu espaço; portanto, as segregações entre surdos e ouvintes são abatidas, instituindo qualquer ambiente estimulador e favorável para explorar as capacidades e garantir uma comunicação pragmática e significativa.
De fato a Língua Brasileira de Sinais (Libras), como acessibilidade comunicacional, por si só não garante diálogos significativos, pois a sociedade não está preparada a compartilhar esta língua por não conhece-la e muito menos desejar aprender.
Segundo Damázio e Ferreira (2010) é preciso romper as ideias focadas na língua ora como gestualismo, ora como oralismo; certo de que a língua natural da PS é a Libras e o acesso a Língua Portuguesa escrita constitui língua de instrução, por isso as escolas não podem gerir suas práticas somente nesta questão promovendo o fracasso escolar, porque é preciso conceber o bilinguismo como identidade à cultura surda, com todo seu potencial e não somente na constituição de sua subjetividade, mas também na forma de aquisição e produção de conhecimento.
Alvez, Ferreira e Damázio (2010) relatam que constituir o bilinguismo nos remete aos anseios do cotidiano da sociedade e essencialmente da PS, no entanto, não somete a escola, como já foi mencionado, como também todos os ambientes devem romper com a confusão nas práticas pedagógicas e não cair no bimodalismo.
É necessário então, que seja propiciado a estas pessoas um ambiente educacional estimulador, onde a criação de situações desafiadoras possa desenvolver suas capacidades cognitiva, perceptiva e linguística, mediadas por experiências significativas que desenvolvam as suas potencialidades das mais variadas formas. Neste sentido a escola precisa rever suas concepções, seu papel na educação dos alunos surdos, modificar sua prática pedagógica na direção de um paradigma inclusivo onde o respeito pelas diferenças é primordial (ALVEZ; FERREIRA; DAMÁZIO, 2010).
Dessa forma, ao adotar ações que contribuam para comunicação que envolva a LIBRAS e que vise o acompanhamento do conteúdo oficial da escola, das atividades socioculturais e o cotidiano desenvolvem a competência linguística e textual para que todos tenham acesso, respeitando a sua aquisição com naturalidade.

Referência Bibliográfica

ALVEZ, C. B.; FERREIRA, J. de P.; DAMÁZIO, M. M. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas com surdez. Brasília: Ministério da Educação, 2010.


DAMÁZIO, M. M.; FERREIRA, J. de P. Educação de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista da Educação Especial / Secretaria de Educação Especial. v.5, n.1 (jan/jul) – Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010.



SYDER, Diana. Introdução aos Distúrbios de Comunicação. Rio de Janeiro: Revinter, 1997.